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As relações sociais e as perspectivas da filosofia africana (Ubuntu)

Fabio Caires · Publicação Labipol 2026

As relações sociais e as perspectivas da filosofia africana (Ubuntu)

O presente artigo tem como objetivo analisar a importância das relações sociais no contexto da categoria Ubuntu, bem como esclarecer sua origem e fundamentação filosófica. Ubuntu é compreendido como uma ontologia e epistemologia em fluxo, enraizada na ética dos povos Zulus, mas frequentemente associada a uma ética africana mais ampla. A concepção contemporânea de Ubuntu foi sistematizada pelo arcebispo sul-africano Desmond Tutu, no intuito de oferecer uma resposta ética às dinâmicas sociais no contexto pós-apartheid. Para que fosse reconhecido como representativo de uma ética africana, pesquisadores buscaram elementos comuns entre os povos de matriz linguística Bantu. No entanto, argumenta-se que o Ubuntu constitui, em grande medida, um procedimento formal – um ideal normativo – e não uma prática social amplamente efetivada. Essa observação é sustentada pela persistência de fenômenos como a xenofobia e a hostilidade étnica em diversas regiões do continente africano, em especial na própria África do Sul. Ainda assim, o Ubuntu permanece como um ideal ético relevante, fundamentado em seu princípio central: eu sou porque nós somos. Na concepção de Ubuntu formulada por Tutu, o “Eu” é compreendido como um sujeito inclusivo e fluido, que incorpora o “Nós” em sua própria constituição. Dessa forma, a junção linguística ubu-ntu não apenas expressa uma ética relacional, mas também evoca uma concepção existencial da vida em comunidade.

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