O que é o Labipol?
O Laboratório de Violência e Política (Labipol) dedica-se ao conhecimento da intersecção entre política e violência, na forma da guerra e da violência estatal interna, mas, fundamentalmente, no modelo em que a política e a violência perdem suas fronteiras e distinções clássicas. O laboratório busca conhecer e apresentar à sociedade a política como a pura prática da violência, que, por vezes, recebe os contornos de xenofobia, misoginia, homofobia, transfobia, racismo, ou, em sua fórmula mais geral e acabada, apresentando-se sob o signo do fascismo.
Concepção Teórica
O ponto de convergência teórico é a compreensão de que o modelo fascista, mais ou menos desenvolvido, é o recurso extremo da acumulação capitalista, diante da constante necessidade de aceleração do ciclo de reprodução ampliada, continuamente embotado pela tendência sistêmica à crise. O capitalismo global, de forma mais ou menos articulada em seus diversos setores concorrentes, puxa de sua cartola a mágica da aceleração da acumulação; a fonte primeira de toda acumulação, presente ou pretérita: a expropriação, a escravização, a morte, o genocídio e o colonialismo. Se há crise de consumo, por qual razão não invadir um mercado menos desenvolvido, destruir a concorrência e submeter a população ao monopólio de uma empresa? Se há escassez de matéria-prima, o que impede o uso da força militar contra populações estrangeiras ou nacionais? Se falta terra, não há empecilho para tomar a terra, por força ou pressão imobiliária, com auxílio do poder público. Expropriar pessoas de tudo que têm (do cabelo aos dentes) é a forma mais ancestral de capitalismo, que estupidamente ganha contornos atuais, quando olhamos para Auschwitz ou Gaza; CPX da Penha ou Curió.
Concepção de Ação
As atividades do grupo serão, desta forma, vinculadas à pesquisa do fenômeno fascista, à sua apresentação pública, em diversos meios, e a formação dos estudantes de graduação e pós-graduação em Filosofia (e áreas afins) sobre os modos de identificar e combater a política como violência (recusamos o mito da neutralidade). Não queremos, com isso, uma leitura idealista da política, onde o próprio pólemos estaria excluído do ambiente propriamente social, mas desejamos estabelecer os modos em que a política moderna se torna a violenta forma de promoção da acumulação primitiva, seja na prática da violência interna, contra populações periféricas; ou na forma internacional, na como guerra quente ou fria. Como resultado do objetivo, de forma inseparável, deseja-se mostrar, de forma crua e nua, o modo em que o pólemos, espaço natural da política, é destruído e se torna puro discurso de ódio e o incentivo e a prática de extermínio de povos e populações.
A Amplificar (ISSN 3086-3155), revista crítica de cultura, arte, ciência e filosofia, quer publicar o resto da produtividade. Queremos os rascunhos e processos; tentativas e erros; sobras e aparas. Queremos divulgar criticamente o artesanato, não a ideia pronta e acabada. Queremos desnudar o caminho que leva ao produto, mas deixamos para as grandes editorias o produto terminado. Não somos uma revista científica, mas somos a revista da anteciência; não somos um caderno de arte, mas de crítica à arte; não somos uma publicação da alta cultura, mas da contracultura. Nos interessa a forma do ensaio e a vileza do imprestável; nossa busca é apresentar a filosofia despretensiosa. Mas, acima de tudo, queremos a crítica.
Uma rápida consulta aos repositórios de pesquisa acadêmica evidencia os altos índices de assédio moral e sexual nos ambientes universitários brasileiros. Infelizmente, os desafios inerentes à rotina acadêmica e à investigação científica muitas vezes cruzam-se com violências estruturais que tornam o espaço de pesquisa hostil e excludente, principalmente para as mulheres. Para romper com essa realidade, a Comissão Antiassédio do Labipol.UECE atua como um canal de comunicação seguro, sigiloso e independente. Nosso compromisso é garantir que todas e todos os participantes das atividades do Laboratório de Violência e Política sejam acolhidos, ouvidos e respeitados em sua dignidade. Se você precisar de apoio ou quiser relatar uma situação, entre em contato através do e-mail: antiassedio@labipol.com.br.