Elmano de Freitas (PT) decreta homicidas são interventores e vítimas são opositores, em ações policiais

Francisco Luciano Teixeira Filho
Palestina Teimosa
Francisco Teixeira

Carta aos Diretores da UECE

Reitero a Vossas Senhorias que nosso compromisso precípuo é convergente: a preservação de uma universidade pública autônoma, plural e radicalmente democrática. Lamentavelmente, a condução adotada pela Direção do Centro de Humanidades e pela Reitoria no caso concreto apartou-se gravemente dessas nossas premissas.
Greve Geral em Portugal Foto: Georg Moritz/Getty Images
Foto de Marcela Uchôa

A greve enquanto expressão suprema do poder de dizer não

A resistência também se manifesta por meio dos corpos que ocupam as ruas e os espaços públicos. Afinal, não há ação política sem a presença concreta dos sujeitos. A greve, os protestos e as ocupações representam formas de contestação das dinâmicas de sofrimento social, precarização e indiferença.
Foto de vala comum em Manaus no período da pandemia de Covid-19. Foto de MICHAEL DANTAS (AFP)
Francisco Teixeira

O bolsonarismo antivacina

O cenário atual demonstra que a estrutura argumentativa pouco mudou: mesmo após mais de 700 mil mortes, o núcleo da extrema-direita bolsonarista permanece fiel ao negacionismo científico.

Diretamente do Palácio da Abolição, sede do governo do Ceará, que recebe tal nome por ter sido neste território o lugar onde o Brasil viu a luz da liberdade primeiro. Abolição, pois cá, a escravidão deixou de ser legal antes de todo o grande território da nação.

Passados mais de 140 anos, no dia 06 de fevereiro de 2026, o Governador do Estado do Ceará, o Senhor Elmano de Freitas (Partido dos Trabalhadores), comemorou nas redes sociais o seu Decreto que muda o jargão de inquéritos policiais que tratam de mortes ou danos corporais graves cometidos por agentes do Estado durante operações policiais. A partir do decreto de hoje, crimes de policiais, em tais ocorrências, não são mais tratados como tal: os criminosos, em nome do Estado, serão chamados de interventores, enquanto as vítimas serão chamadas de opositores.

O Ceará se alinha, com isso, à política de morte proposta dor Sergio Moro, durante o Governo Bolsonaro, quando se queria afastar os crimes policiais por “medo escusável”, “surpresa” ou “violenta emoção”. Já que os entes federados não legislam sobre o Código Penal, no Brasil, Elmano de Freitas (PT) tratou de perdoar crimes naquilo que ele pode fazer: o regime vocabular.

Mas o regime vocabular tem consequências, como os petistas sabiam durante o Governo Bolsonaro. O estado do Ceará agora não comete crime, em termos semânticos. Qual liberdade os seus agentes terão, a partir de agora? O que se autoriza e o que se incentiva, com o Decreto do governador do estado?

Devemos analisar a semântica: interventor é aquele que intervém. Em que âmbito? Em que condições? Com qual autoridade? Ao criar uma política publica que muda o regime dos nomes e das coisas e ao não criar uma outra política no sentido de estabelecer normas e limitações, o governador autoriza ilimitadamente, naquilo que o compete. Trata-se de uma carta branca (ou de branco) para a PM. Age, pois eu autorizo, disse Elmano, em outros termos. Mas aquele que age por autorização nunca pode ser responsável, pois age em nome de outro. Quem será o outro? Não se verá, aposto, na próxima chacina do Ceará, o governador Elmano levantar a mão e dizer: esta responsabilidade é minha. Portanto, no campo das palavras, nenhum crime cometido por agente policial é crime, a partir de agora, pois para que crime exista, um autor é necessário.

Por fim, resta saber: opositor se opõem a quem? Dados os números alarmantes da nossa população carcerária, sabemos qual o perfil de cor daqueles que são chamados de opositores. São os pretos em oposição aos brancos, governador Elmano? O governador não branco será aquele que entregará a Terra da Luz à condição da barbárie pré-abolição?

 

Elmano de Freitas no X.
Elmano de Freitas no X.