Em 11 de março de 2020, o avanço global do coronavírus levou à declaração oficial da pandemia, no Brasil. Seis anos depois, recordamos que, em um dia como hoje, o Brasil já acumulava 35.047 vítimas fatais, atingindo a trágica marca de mil mortes diárias. Naquela mesma data, a imprensa noticiava o chamado ‘apagão de dados’, provocado pela tentativa do governo Bolsonaro de omitir e restringir os números de infectados e óbitos. Paralelamente, registrava-se a inauguração do Hospital de Campanha em Goiás, em pleno auge do tensionamento político entre o governador Ronaldo Caiado e o Palácio do Planalto, motivado pela adesão do gestor estadual às medidas sanitárias recomendadas pelos sanitaristas.
Curiosamente, nesta mesma data em 2026, o ex-governador de Goiás retorna ao centro do debate midiático pelo mesmo pano de fundo. Em participação recente em um podcast alinhado à extrema-direita, Caiado envolveu-se em uma discussão ao confrontar o apresentador, afirmando que faltava ao comunicador competência técnica para negar a eficácia das vacinas.
Hoje, repetindo o comportamento de seis anos atrás, o ecossistema bolsonarista mobilizou-se contra Caiado após o político sustentar que: 1) médicos não são, necessariamente, cientistas; 2) profissionais da medicina, sem formação científica específica, não devem arbitrar sobre o desenvolvimento vacinal; e 3) podcasters não têm o direito de disseminar desinformação que coloque em risco a saúde coletiva.
O cenário atual demonstra que a estrutura argumentativa pouco mudou: mesmo após mais de 700 mil mortes, o núcleo da extrema-direita bolsonarista permanece fiel ao negacionismo científico.