Nota sobre PCC e CV, terrorismo e soberania

Francisco Teixeira
Palestina Teimosa
Francisco Teixeira

Carta aos Diretores da UECE

Reitero a Vossas Senhorias que nosso compromisso precípuo é convergente: a preservação de uma universidade pública autônoma, plural e radicalmente democrática. Lamentavelmente, a condução adotada pela Direção do Centro de Humanidades e pela Reitoria no caso concreto apartou-se gravemente dessas nossas premissas.
Greve Geral em Portugal Foto: Georg Moritz/Getty Images
Foto de Marcela Uchôa

A greve enquanto expressão suprema do poder de dizer não

A resistência também se manifesta por meio dos corpos que ocupam as ruas e os espaços públicos. Afinal, não há ação política sem a presença concreta dos sujeitos. A greve, os protestos e as ocupações representam formas de contestação das dinâmicas de sofrimento social, precarização e indiferença.
Foto de vala comum em Manaus no período da pandemia de Covid-19. Foto de MICHAEL DANTAS (AFP)
Francisco Teixeira

O bolsonarismo antivacina

O cenário atual demonstra que a estrutura argumentativa pouco mudou: mesmo após mais de 700 mil mortes, o núcleo da extrema-direita bolsonarista permanece fiel ao negacionismo científico.

Os EUA não têm demonstrado, no conjunto de suas ações e decisões, qualquer preocupação ou compromisso com a objetividade quando definem uma organização como terrorista. Pelo contrário, usam a terminologia de forma frouxa e arbitrária, a fim de justificar ações que, por vezes, extrapolam a legislação nacional daquele país e as convenções internacionais.

Basta observar o caso do atual líder Síria, Abu al-Julani, da Frente al-Nusra, ligada a Al-Qaeda. Antes, listado como terrorista internacional e com a cabeça a prêmio pela CIA, hoje ele é recebido por Trump na Casa Branca.

Nota-se que a classificação de terrorista funciona como uma maneira de declarar amigos e inimigos de acordo com o alinhamento aos interesses de Washington e, por fim, legitimar intervenções contra países que estejam na mira estadunidense. Dessa forma, observamos com profunda preocupação e revolta a recente classificação de grupos criminosos brasileiros como organizações terroristas por parte daquele país. O Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) são, sem dúvidas, organizações do capital criminoso, com vínculos umbilicais como a política e com o capital regular, como a recente ‘Operação Fluxo Oculto’ demonstrou, mas não possuem as características que as convenções internacionais utilizam para tipificar o terrorismo.

Tal recurso dos EUA é, tão-somente, o reflexo de sua tradicional política intervencionista na América Latina, que vem desestabilizando o nosso continente há décadas. Mais grave, porém, é que políticos da extrema-direita brasileira estejam corroborando essa interferência na soberania do Brasil – pedindo tarifas ilegais (segundo a justiça estadunidense) contra nosso país, causando desemprego e o fechamento de empresas especializadas em exportações (incluindo a indústria pesqueira cearense) e, agora, negociando até mesmo ameaças contra o nosso próprio território.

Se os EUA utilizam seu poder econômico e militar para impor sua vontade a nações estrangeiras, isso se explica logicamente pela imoral “lei do mais forte”. Mas qual é a justificativa de um representante político brasileiro ir a Washington para articular ações contra o país que ele mesmo representa? Nesse ponto, não falamos mais de interesse nacional, mas sim de “queimar toda a floresta” para fazer valer o interesse mesquinho de uma facção familiar.