A extrema-direita europeia depois de 1945: uma breve história

O fio que amarra tudo sem deixar ponta solta é este: a extrema-direita europeia cresceu porque aprendeu a sobreviver no pós-guerra, porque crises econômicas e identitárias abriram demanda por pertencimento e controle, porque o centro político normalizou sua moldura ao copiá-la, e porque a era digital, acelerada pela pandemia, tornou a política mais emocional, mais cansativa e mais vulnerável à desinformação.

A lógica da guerra infinita como estratégia de governo

Khan Yunis, Gaza - Omar Al-Qattaa/AFP

Entender as dinâmicas de opressão e trabalho reprodutivo que se conjugam em Gaza há décadas é compreender as estruturas que autorizam e naturalizam a utilização de artifícios imperialistas de governo a serem aplicados em escala indefinida contra populações colocadas em extrema vulnerabilidade. Essa dinâmica de normalização das crises aponta para uma forma de governabilidade que naturaliza o uso de medidas excecionais e autoritárias.

Noticiário parisiense de 2018 movimenta racistas no Brasil

As redes bolsonaristas reativaram uma série de jargões xenofóbicos e racistas. Apresentando um vídeo de imigrantes franceses, ameaçando uma professora de morte, os bolsonaristas alertaram para a importância de retomar o discurso conservador, apoiando a extrema direita europeia. Acontece que o vídeo é, na realidade, de 2018. Aconteceu no Lycée Edouard-Branly, em Créteil, região de Île-de-France (arredores […]

Reuters: Departamento de Justiça prepara ofensiva contra promotores do 6 de janeiro

O que temos observado, em todo a parte onde os movimentos de extrema direita tenham tomado corpo e o poder, é o ataque renitente às instituições de justiça. Até onde temos notícias, contemporaneamente esse modelo foi testa pela primeira vez na Hungria, por Viktor Orbán, e se tornou um tanto como modelo dos blocos fascistas. Atacar, gradual e continuamente o poder judiciário, que tem sido, segundo observamos, uma contenção aos impulsos violentos dos governos extremistas.

O problema não é só a AfD: Merz, o chanceler “sincerão”

O episódio de Belém não é um caso isolado. A cidade escolhida para sediar a COP 30 e colocada no centro das discussões globais sobre a crise climática aparece, no discurso de Merz, apenas como um lugar do qual se quer fugir depressa. Merz não está apenas sendo “sincero” ou “desastrado”: ele transforma mais uma vez pessoas e territórios inteiros em exemplo negativo, como pano de fundo para tranquilizar o público alemão com a ideia de que vive em um país melhor do que os outros.