O Laboratório de Violência e Política da Universidade Estadual do Ceará (Labipol.UECE) dedica-se ao conhecimento da intersecção entre política e violência, na forma da guerra e da violência estatal interna, mas, fundamentalmente, no modelo em que a política e a violência perdem suas fronteiras e distinções clássicas. O laboratório busca conhecer e apresentar à sociedade a política como a pura prática da violência, que, por vezes, recebe os contornos de xenofobia, misoginia, homofobia, transfobia, racismo, ou, em sua fórmula mais geral e acabada, apresentando-se sob o signo do fascismo. A atuação científica do Labipol está cadastrada e cerificada no Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq. e institucionalmente, foi criado oficialmente pela Resolução Nº 2160/2026 – Consu, de 04 de setembro de 2026.

O ponto de convergência teórico é a compreensão de que o modelo fascista, mais ou menos desenvolvido, é o recurso extremo da acumulação capitalista, diante da constante necessidade de aceleração do ciclo de reprodução ampliada, continuamente embotado pela tendência sistêmica à crise. O capitalismo global, de forma mais ou menos articulada em seus diversos setores concorrentes, puxa de sua cartola a mágica da aceleração da acumulação; a fonte primeira de toda acumulação, presente ou pretérita: a expropriação, a escravização, a morte, o genocídio e o colonialismo. Se há crise de consumo, por qual razão não invadir um mercado menos desenvolvido, destruir a concorrência e submeter a população ao monopólio de uma empresa? Se há escassez de matéria-prima, o que impede o uso da força militar contra populações estrangeiras ou nacionais? Se falta terra, não há empecilho para tomar a terra, por força ou pressão imobiliária, com auxílio do poder público. Expropriar pessoas de tudo que têm (do cabelo aos dentes) é a forma mais ancestral de capitalismo, que estupidamente ganha contornos atuais, quando olhamos para Auschwitz ou Gaza; CPX da Penha ou Curió.

As atividades do grupo serão, desta forma, vinculadas à pesquisa do fenômeno fascista, à sua apresentação pública, em diversos meios, e a formação dos estudantes de graduação e pós-graduação em Filosofia (e áreas afins) sobre os modos de identificar e combater a política como violência (recusamos o mito da neutralidade). Não queremos, com isso, uma leitura idealista da política, onde o próprio pólemos estaria excluído do ambiente propriamente social, mas desejamos estabelecer os modos em que a política moderna se torna a violenta forma de promoção da acumulação primitiva, seja na prática da violência interna, contra populações periféricas; ou na forma internacional, na como guerra quente ou fria. Como resultado do objetivo, de forma inseparável, deseja-se mostrar, de forma crua e nua, o modo em que o pólemos, espaço natural da política, é destruído e se torna puro discurso de ódio e o incentivo e a prática de extermínio de povos e populações.

O Labipol.UECE se estrutura a partir do Curso de Graduação em Filosofia e do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Estadual do Ceará. Contamos com apoio institucional do Instituto de Cultura e Arte(ICA) da Universidade Federal do Ceará (UFC), do Instituto de Estudos Filosóficos(IEF) da Universidade de Coimbra(UC) e do Instituto de Cultura, Sociedad y Estado (ICSE) da Universidad Nacional de Tierra del Fuego, Antártida e Islas del Atlántico Sur (UNTDF). Somos uma organização vinculada ao Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais, assentados na 114ª Reunião do Comitê Diretor, realizado em São Paulo, Brasil, nos dias 27 e 28 de abril de 2026.
Av. Luciano Carneiro, 345 – Fátima
Fortaleza – Ceará – Brasil
CEP: 60.410-690
Como as mídias alemã, argentinas, brasileiras, estadunidenses, portuguesas e salvadorenhas regulam o enquadramento dos discursos dentro do espectro político
Introdução: Apresenta-se a proposta de uma pesquisa interdisciplinar de monitoramento e análise das mídias, com intento de reconhecer tendências e explorar o processo de produção e difusão de discursos na opinião pública no que tange à avaliação dos discursos no espectro político. Realizada com técnicas consolidadas de raspagem de mídias, a proposta inova ao unificar pesquisa de mídia e monitoramento em tempo real do deslocamento da Janela de Overton aplicada à aceitabilidade de discursos políticos. Objetivo: Busca-se avaliar os deslocamentos de enquadramento das visões de mundo sobre a aceitabilidade do espectro político-ideológico por meio de análise massiva de sentimentos expressos sobre discursos ideológicos, políticas públicas e modos de vida na Alemanha, Argentina, Brasil, El Salvador, Estados Unidos e Portugal. Metodologia: A pesquisa será realizada sobre uma base de 900 influenciadores anonimizados, selecionados conforme critérios de número de seguidores e engajamento das postagens. Serão selecionados os 93 portais jornalísticos de maior audiência nos países citados, que também serão monitorados. O conteúdo será filtrado e alimentará um modelo de NLP baseado em Gemma 2, que será treinado para realizar análise de sentimentos. Os resultados, por fim, serão analisados sob o prisma teórico-metodológico da Teoria Crítica. Hipótese: Supomos haver duas espécies de deslocamentos da opinião pública na avaliação do espectro político, que podem ser percebidas de duas formas: de uma forma volátil e mais ou menos espontânea das “câmaras de eco” das redes, além do modelo mais tradicional das mídias jornalísticas, que se sustenta sobre as zonas de interesse dos poderes econômico-políticos. Ao contrário do que supunham pesquisas anteriores sobre o poder da mídia jornalística na opinião pública, ela perdeu parte de sua hegemonia e sua capacidade de pautar as opiniões públicas.
Equipe: Dulcinéa Duarte de Medeiros, Francisco Luciano Teixeira Filho, Ilana Viana do Amaral, Ivânio Lopes de Azevedo Júnior, Jonas van Vossole, Joyce do Nascimento Lopes, Marcela da Silva Uchôa, Paola Karyne Azevedo Jochimsen e Sergio Martin Tapia Argüello
Diagrama de áreas da CAPES:
Grande área: Multidisciplinar (90000005)
Área de avaliação: Interdisciplinar (90100000)
Concentração: Sociais e Humanidades (90192000)
Pretende-se investigar como os diversos sujeitos, em seus diferentes estratos sociais, entendem o discurso políticos circulante na esfera pública, dentro do espectro esquerda-direita. Não se dará aos sujeitos qualquer critério de validação ou mesmo uma prévia indicação do discurso e o próprio sujeito indicará sua visão sobre o fragmento ideológico. Portanto, propõe-se uma pesquisa de caráter descritivo-explicativa, com intuito de entender, através de procedimentos de pesquisa de campo e técnicas de grupo focal e questionário, o sentido das ideologias dentro do que os sujeitos entendem dos grupos e questões ideológicas. O caminho de análise é a teoria crítica, no sentido marxiano, mas com auxílio dos elementos interdisciplinares da chamada escola de Frankfurt.
Equipe: Francisco Luciano Teixeira Filho, Ilana Viana do Amaral, Joyce do Nascimento Lopes, Marcela da Silva Uchôa e Paola Karyne Azevedo Jochimsen,
Diagrama de áreas da CAPES:
Grande área: Multidisciplinar (90000005)
Área de avaliação: Interdisciplinar (90100000)
Concentração: Sociais e Humanidades (90192000)
* Projeto acompanhado na Plataforma Brasil.
A proposta é averiguar o banco de dados do Observatório de Mídia, Política e Violência (Obspol), do Laboratório de Violência e Política da UECE, para análise do discurso da mídia sobre o fenômeno fascista (e similares) e os movimentos antifascistas (e similares), buscando verificar os modos em que as manchetes e postagens espelham algum comprometimento ideológico do meio. A abordagem teórica é marxista, baseada em modelos contemporâneos da Teoria Crítica. São objetos de estudo as mídias analisadas pelo Obspol, mantidos pelo Labipol, tais como jornais de maior relevância na internet, agentes políticos de maior destaque no X (Twitter), conforme a metodologia de coleta do Labipol, brevemente descrita abaixo. A análise será realizada por meio da busca de elementos semióticos na construção da frase, que classifica as manchetes em 5 níveis, sendo -2 muito crítico e +2 muito elogioso. Esse classificação realizada pelos pesquisadores, além de balizar compreensões científicas, também alimentará o modelo de Processamento de Linguagem Natural (PLN) do Labipol, baseado na arquitetura de aprendizagem profunda do Google, intitulado Bidirectional Encoder Representations from Transformers (BERT), colaborando com a composição do modelo Obspol.BERT, que rodará localmente.
Equipe: Francisco Luciano Teixeira Filho, Ilana Viana do Amaral, Joyce do Nascimento Lopes e Marcela da Silva Uchôa.
Diagrama de áreas da CAPES:
Grande área: Multidisciplinar (90000005)
Área de avaliação: Interdisciplinar (90100000)
Concentração: Sociais e Humanidades (90192000)
O Observatório de Mídia, Violência e Política é o projeto que dá origem ao próprio Labipol, tendo surgido em 2019, mas descontinuado em decorrência da catástrofe da pandemia de COVID-19. O Obspol se configura como um projeto de observação dos discursos em circulação social nas redes sociais, nas mídias tradicionais, bem como nos muros, mobiliários urbanos e equipamentos públicos, a fim de constituir um banco de dados relevante para pesquisas sobre a interrelação entre política e violência.
Coordenadora: Joyce do Nascimento Lopes
Flusser afirma que o texto é código de pontos sucessivos e com significado, formando uma linha reta. O desenvolvimento da comunicação nos conduz à imagem plana, ou superfícies. O mesmo discurso, que na filosofia é linha, na foto é imagem. O mesmo conteúdo pode estar nos dois meios, sem dificuldade. Todavia, a linha tem o tempo e o desenvolvimento a seu favor, enquanto a foto é o colapso do tempo. Cabe, então, ao interpretar a foto, dar-lhe seu caráter exemplar. Apresentar seu discurso cifrado. Nesse momento, o discurso filosófico, a fotografia e a questão social se encontram, inelutavelmente. Ora, essa, nos parece, é uma boa tática para superar a decadência do texto: “as linhas escritas, apesar de serem muito mais frequentes de que antes, vêm se tornando menos importante para as massas do que as superfícies [as telas, p.ex.]”. O projeto Filosofia na Caixa-preta tem a intenção de produzir oficinas de fotografia, a fim de formar fotógrafos críticos, capazes de produzir fotos com significados; fotos que tenham dancem com o texto. Com isso, a ideia é tratar a imagem técnica da câmera (a caixa-preta) uma expressão filosófica capaz de denunciar a violência, expressar a importância da dignidade humana e proteger os marginalizados da sociedade.
Inspirado na proposta original do Prof. Eduardo Nobre Braga, que idealizava conectar a sociedade cearense ao Curso de Filosofia da UECE por meio de um modelo pioneiro de remuneração de egressos, garantino uma renda aos estudantes que acabavam seus cursos regulares, o projeto Colégio de Filosofia ganha uma nova roupagem para dar seus primeiros passos. Enquanto amadurecemos o sonho inicial, iniciamos nossa jornada focando no impacto social imediato: um espaço de reforço filosófico, totalmente aberto e gratuito para a comunidade vizinha à universidade. Nosso objetivo não é promover conferências rígidas para plateias distantes, mas sim construir rodas de conversa claras, informativas e acolhedoras. Queremos aproximar estudantes da Educação Básica e cidadãos em geral de temas que afetam diretamente o cotidiano, as estruturas sociais, mas também os exames de vestibular, Enem, concursos etc. Da ética e política ao repertório para a redação do Enem e o Vestibular da UECE, vamos debater assuntos que, por parecerem banais, muitas vezes escondem grandes complexidades. Para garantir uma troca rica e dinâmica, as vagas serão preenchidas mediante inscrição prévia, e as leituras recomendadas serão disponibilizadas antecipadamente no Canal do Labipol no WhatsApp.
O Periódico Amplificar (ISSN 3086-3155) é uma publicação técnica com objetivo de alcançar a população não acadêmica e não iniciada nas Ciências Humanas. O objetivo informar à comunidade sobre o fenômeno da violência na política, não como mero exercício de polêmica, mas como prática de destruição, na suas formas mais naturalizadas, como decisões políticas de segregação de raça, etnia ou gênero, mas também na sua forma mais brutal, como guerra, genocídio e o fascismo. O periódico pode ser acessado clicando aqui.
O Labipol organiza periodicamente eventos nas áreas de Teoria Crítica, Filosofia Política, interdisciplinaridades etc. Entre os eventos, vale citar o Colóquio Teoria Crítica, que já está na sua 6 ocorrência; o Colóquio Luso-Brasileiro de Filosofia Política, que contou com sua segunda edição em 2026; o Seminário de Pesquisa em Filosofia Social e Política, já realizado duas vezes, em 2024 e 2025. Também contamos com o Peinel Permanente de Política e Violência, que é um evento ininterrupto.







Uma rápida consulta aos repositórios de pesquisa acadêmica evidencia os altos índices de assédio moral e sexual nos ambientes universitários brasileiros. Infelizmente, os desafios inerentes à rotina acadêmica e à investigação científica muitas vezes cruzam-se com violências estruturais que tornam o espaço de pesquisa hostil e excludente, principalmente para as mulheres.
Para romper com essa realidade, a Comissão Antiassédio do Labipol-UECE atua como um canal de comunicação seguro, sigiloso e independente. Nosso compromisso é garantir que todas e todos os participantes das atividades do Laboratório de Violência e Política sejam acolhidos, ouvidos e respeitados em sua dignidade.
Se você precisar de apoio ou quiser relatar uma situação, entre em contato através do e-mail: antiassedio@labipol.com.br
O Laboratório de Violência e Política da UECE preza pela transparência e quer deixar claro todos os possíveis conflitos de interesses envolvidos nas atividades do laboratório. Somos declaradamente antifascista e nossa abordagem é marxista.
Somos uma entidade de pesquisa, ensino e extensão pública, sem fins lucrativos. Nesse sentido, devemos dizer que não recebemos fundos de nenhuma instituição privada, partido político ou emenda parlamentar. Não possuímos vínculos de nenhuma outra espécie, além daqueles declarados acima.
A principal fonte de financiamento do Labipol é a Fundação Universidade Estadual do Ceará (FUNECE), mantenedora da Universidade Estadual do Ceará (UECE) por meio da concessão de espaço, equipamentos e pessoal. Por meio de editais específicos, a FUNECE também disponibiliza bolsas de estudo para estudantes da própria IES vinculados ao laboratório.
Por meio de editais específicos, o Labipol-UECE recebe financiamento, por meio de bolsas, da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FUNCAP), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Esses recursos não são para o custeio do laboratório, mas para o pagamento de bolsas para estudantes da UECE vinculados aos projetos de pesquisa, ensino e extensão do Labipol-UECE.
Por meio de editais próprios e parcerias, o Labipol-UECE já contou com financiamento para eventos vindos de fundos públicos no Brasil e no exterior: Instituto de Estudos Filosóficos da Universidade de Coimbra (IEF-UC), Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT-Portugal), Instituto de Estudos, Pesquisas e Projetos da UECE (IEPRO), FUNCAP, além de recursos de fontes diversas administrados pelos programas de pós-graduação em filosofia da UECE e da Universidade Federal do Ceará.
Os membros do Labipol-UECE também cotizam entre si recursos para a compra, aluguel e manutenção de equipamentos especializados para a atividade do laboratório.
Agrdecemos a todas as instituições que financiaram o Labipol-UECE e suas atividades.