Quarto relatório sobre as condições dos estudantes isolados no CH-UECE

Francisco Luciano Teixeira Filho
Palestina Teimosa
Francisco Teixeira

Carta aos Diretores da UECE

Reitero a Vossas Senhorias que nosso compromisso precípuo é convergente: a preservação de uma universidade pública autônoma, plural e radicalmente democrática. Lamentavelmente, a condução adotada pela Direção do Centro de Humanidades e pela Reitoria no caso concreto apartou-se gravemente dessas nossas premissas.
Greve Geral em Portugal Foto: Georg Moritz/Getty Images
Foto de Marcela Uchôa

A greve enquanto expressão suprema do poder de dizer não

A resistência também se manifesta por meio dos corpos que ocupam as ruas e os espaços públicos. Afinal, não há ação política sem a presença concreta dos sujeitos. A greve, os protestos e as ocupações representam formas de contestação das dinâmicas de sofrimento social, precarização e indiferença.

Quarto relatório sobre as condições dos estudantes isolados no CH-UECE

05/01/2026

Relatório em PDF aqui.

 

1) O período de isolamento da Ocupação Palestina Teimosa encerrou-se neste dia 05/01/2026, com a abertura dos portões. A ocupação permanece, mas a entrada e saída de alunos e professores foi liberada – esta é a informação.

2) O ofício protocolado sob o número 31032.013123/2025-23, solicitando entrada deste professor da UECE no Campus Fátima da UECE segue sem resposta da Administração Superior da Universidade. A solicitação de entrada no campus estranhamento virou uma inquirição contra este pesquisador, que será respondida na forma da lei.

3) Três professores da Universidade Estadual do Ceará foram intimados para depor. Não temos informações sobre o motivo, mas a delegacia é a mesma que intimou os estudantes.

Dados sumarizados:

4) Durante a ocupação, tivemos dois casos de infecções na garganta, alimentação de baixa qualidade, com melhoras extraordinárias graças à mobilização dos apoiadores da ocupação.

5) A higiene permaneceu um problema durante todo o período. Ratos, gambás, baratas e escorpiões foram relatados. Não houve, até onde eu saiba, nenhum incidente. Não tivemos relatos de doenças de pele, infecções do globo ocular etc.

6) Não será possível acompanhar as condições psicológicas dos estudantes. Uma vez que a situação de vulnerabilidade cessou, não estou em condições de promover qualquer interação sobre isso com os estudantes. Os relatos colhidos, a partir daqui, serão os das redes sociais.

7) A questão da autorrealização moral dos sujeitos tornou-se um caso a ser estudado. Tivemos uma profunda afetação durante o isolamento. Os relatos de desrespeito, medo, humilhação etc. foram constantes. Todavia, no dia de hoje, as redes sociais apontam grande satisfação de todos, que agora comemoram terem conseguido manter a ocupação nas situações impostas e ampliarem o arco de apoios para entidades estudantis da UECE, do Ceará e do Brasil. A hipótese de partida é que a manutenção da ocupação havia se transformado numa espécie de luta por reconhecimento da dignidade moral dos estudantes, que impunha mais resistência quanto mais a sensação de humilhação se ampliava. A tal “teimosia dos meninos mimados” é um fenômeno psicossocial conhecido por Fraser, Honneth, Jeaggi e outros teóricos críticos.

8) Entraremos em fase de redação do relatório final, crítico e teoricamente fundamentado, sem a urgência dos relatórios preliminares.

Periódico Amplificar  –  ISSN 3086-3155 – CC-BY.