Escrita íntima, opressão doméstica e feminismo em La Paix des ruches (1947) de Alice Rivaz

Capa Letras Hoje, 2025

Publicado em 1947, em um contexto suíço marcado pela desigualdade legal entre os sexos e décadas antes da conquista do voto feminino no país, La Paix des ruches, de Alice Rivaz, elabora uma narrativa ficcional que antecipa debates fundamentais do pensamento feminista contemporâneo. Frequentemente classificado como diário íntimo, o romance consiste, na verdade, em um fluxo contínuo de reflexões pessoais da protagonista Jeanne Bornand, que concilia o trabalho assalariado com o trabalho doméstico invisibilizado. Este artigo analisa de que modo a escrita íntima revela as tensões entre subjetividade feminina, silenciamento cotidiano e estrutura patriarcal, evidenciando a opressão do casamento tradicional e a sobrecarga emocional imposta às mulheres. A leitura crítica articula os referenciais teóricos de Simone de Beauvoir, em sua formulação sobre imanência e transcendência, e de Silvia Federici, a partir do conceito de trabalho reprodutivo como fundamento não reconhecido da economia capitalista. Por meio de uma prosa delicada, Rivaz constrói uma crítica sutil à ordem patriarcal e afirma a sororidade e a escrita como formas de resistência. Ao politizar o cotidiano e dar voz à experiência feminina, La Paix des ruches reafirma seu lugar como obra central nos estudos de gênero, literatura e subjetividade.

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